terça-feira, 15 de novembro de 2011

UM ENCONTRO COM MILTON SANTOS


                O Prof. Dr. Milton Santos (Milton de Almeida Santos ou Milton Almeida dos Santos), nasceu em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, no dia 03 de Maio de 1926. Geógrafo e livre pensador brasileiro, homem amoroso, afável, fino, discreto e combativo, dizia que a maior coragem, nos dias atuais, é pensar, coragem que sempre teve. Doutor honoris causa em vários países, ganhador do prêmio Vautrin Lud, em 1994 ( o prêmio Nobel da geografia), professor em diversos países (em função do exílio político causado pela ditadura de 1964), autor de cerca de 40 livros e membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, entre outros.
                   O Prof. Milton Santos formou-se em Direito no ano de 1948, pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), foi professor em Ilhéus e Salvador, autor de livros, que surpreenderam os geógrafos brasileiros e de todo o mundo, pela originalidade e audácia: "O Povoamento da Bahia" (48), "O Futuro da Geografia" (53), "Zona do Cacau" (55) entre muitos outros. Em 1958, já voltava da Universidade de Estrasburgo, da França, com o doutorado em Geografia, trabalhou no jornal "A Tarde" e na CPE (Comissão de Planejamento Econômico-BA), precursora da Sudene, foi preso em 1964 e exilado. Passou o período entre 1964 a 1977 ensinando na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela, Tânzania; escrevendo e lutando por suas idéias. Foi o único brasileiro e receber um "prêmio Nobel", o Vautrin Lud, que é como um Nobel de Geografia. Outras de suas magistrais obras são: "Por Uma Outra Globalização" e "Território e Sociedade no Século XXI" (editora Record) . Milton Santos, este grande brasileiro, morreu em São Paulo-SP, no dia 24 de Junho de 2001, aos 75 anos, vítima de câncer.



               Destacamos o documentário "O mundo Global Visto do Lado de Cá", filme produzido pela cineasta brasileiro Silvio Tendler onde ele realiza uma entrevista com o geógrafo Milton Santos, quatro meses antes de sua morte.

             O filme nos leva a refletir sobre as injustiças do capitalismo no mundo e no nosso país, nos levando a criar uma consciência crítica sobre tudo que a globalização tem imposto à todos nós diante de um mundo em processo acelerado de transformação.
Este documentario proporcionou refletir sobre como vemos o mundo, qual a nossa perspectiva, ou se estamos apenas expostos aquilo que nos é imposto.
 Este documentario traz inumeras contribuições acerca do estudo para a alfabetização geografica,em como podemos refletir sobre nosso contexto historico/social, se nem ao menos conhecemos a realidade que estamos vivendo? O documentario nos mostra as inumeras realidades tanto do nosso pais, como o de outros, e como isso se reflete em nosso cotidiano.
As lutas socias pelas quais as pessoas enfrentam, nem sempre nos são apresentadas pela midia, que por inumeras vezes ou quase sempre se preocupam apenas em embelezar a situação e aborda-la do seu ponto de vista visando seus interesses.
Enfim, refletirmos sobre o mundo em que vivemos não requer apenas estudos, é mais do que isso, é olharmos as situações não de um ponto de vista massificado, mas sermos capazes de reconhecer a verdadeira realidade e não convivermos com um futuro "possivel", mas estarmos prontos a muda-lo.
Acesso em 15 de Outubro de 2011




Por: Claudineia Alves da Costa e Glenda Santana



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diversidade Linguística

A música "Zaluzejo" do grupo O Teatro Mágico  fala em sua letra sobre as variações linguísticas existentes no nosso país e as discriminações que as pessoas sofrem por não falarem a forma culta padronizada pela nossa sociedade
Como educadores, esta música nos remete à refletirmos em como é o ensinar a lingua portuguesa? A principio nos parece fácil respondermos a esta questão porém com o decorrer do processo, começamos a nos interrogar em: Como lidamos com as variações linguisticas, as definimos como erradas, tentamos corrigir o outro ou damos valor à identidade de cada um?
Ensinar a lingua portuguesa não é provocar pré-conceitos, pois quando interferimos na fala do outro, como uma forma errada de se expressar, isso irá definir como a criança construirá seu processo de aprendizagem. Os educadores devem manter uma postura includente, valorizando cada ser, cada diversidade que a sala de aula nos proporciona, ao assumirmos estas posturas e atitudes tornamos a sala de aula em um espaço melhor, onde lidamos com o outro de forma humana e igualitária.
As relações que são estabelecidas quando abordamos tal assunto em sala de aula entre professor/aluno de forma includente nos faz no papel de (futuros) educadores segundo Paulo Freire já dizia "Ser mais". 

Deixo como reflexão uma frase presente na música:
 "Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz!"


                        Fonte:  Youtube.com / Acesso em 14 de Outubro de 2011
                        Link: http://www.youtube.com/watch?v=PWykmQ1oe90&feature=player_embedded


Claudinéia Alves da Costa e Glenda Santana

Pedagogia Empreendedora

                    Visando a melhoria da classe trabalhadora nos aspectos intelectual, moral e físico, surge nos anos 70 a pedagogia empresarial, que tem por objetivo ajudar os trabalhadores com as dificuldades encontradas por eles dentro da empresa, que já não estavam atendendo às demandas do mercado, a partir de um processo de formação profissional dentro do próprio local de trabalho.Com isso a pedagogia deixa de ser restrita a apenas espaços e ambientes escolares, dando segmentos á outras formas de ensino/aprendizagem.

                 O pedagogo busca trabalhar com a formação do sujeito, a identidade profissional, para isso ele tem que conhecer bem o lugar em que ele está inserido, visando encontrar as falhas e trabalhar sempre com o foco no crescimento pessoal dos funcionários, viabilizando o trabalho coletivo e  proporcionado atividades onde os trabalhadores possam mostrar suas habilidades, como por exemplo os jogos cooperativos onde o intuito é promover a socialização, ensinando a trabalhar em parceria, tendo como objetivo gerar mudanças no comportamento das pessoas de modo que estas melhorem tanto a qualidade da sua atuação profissional quanto pessoal.

 Portanto, segundo Chiavenato: 
      Desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informação para que elas aprendam novos conhecimentos, habilidades e destrezas e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes a formação básica para que elas aprendam novas atitudes, soluções, idéias, conceitos e que modifiquem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. Formar é muito mais do que simplesmente informar, pois representa um enriquecimento da personalidade humana. (1999, p. 290).

                    Muitas empresas já reconhecem a importância de um pedagogo dentro desse espaço e veem significantemente as melhorias proporcionadas por esse trabalho onde, para elas a vantagem é manter os funcionários bem qualificados, motivando-os a crescer e produzir mais dentro do local de trabalho, e também na vida pessoal. 
Deixo um vídeo como reflexão de que podemos construir empresas onde se tenha senso crítico para estar sempre mudando, transformando e planejando, sempre em prol do crescimento pessoal e intelectual de seus funcionários.

                                                            Claudinéia Alves da Costa

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vida Maria






A partir da observação e análise do vídeo “VIDA MARIA”, chegamos à compreensão de que o processo de educação de uma pessoa  não está ligado apenas ao ensino que esta adquire dentro da escola, mas à maneira como ela vive, desde que nasce, nas relações e aprendizados que têm com as pessoas e com o  seu meio social, através da vivência de situações práticas, passadas através das gerações.Também a forte ação que esta educação exerce sobre elas. 
Para valorizar a importância e a força que essa educação tem na vida destas pessoas, o vídeo mostra o interesse e o desejo de alguns membros da família de Maria pelo  ensino, quando estes começam  a aprender a ler e escrever por sua própria conta e até mesmo escondido. Isto também é algo que se repete dentro da família, mas ao perceber a distância que existe entre  o  ensino  e a realidade em que vivem, acabam desistindo. 
É claro que para se oferecer  ensino a estas pessoas, é  relevante valorizar essa educação construída por eles ao longo de suas vidas, pois só através da relação que fizerem  entre aquilo que faz parte das suas experiências e os conteúdos oferecidos pela escola, poderão encontrar significado essa nova construção.Também  é preciso levar em conta as características do lugar em que vivem, seus costumes, sua cultura, etc.
A representação de um pequeno trecho da vida de “Maria”, nos dá  a compreensão da situação de todas as mulheres que são discriminadas e excluídas  na sociedade, através dos tempos e a maneira como são silenciadas, sem o direito de manifestar nenhum tipo de reação às opressões que sofrem.  E não é no silêncio que as pessoas  se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. 
E não podemos dizer que se trata de conformismo da parte delas, mas sim da negação por parte da sociedade, dos seus  direitos  básicos; direitos esses que desconhecem totalmente. 

Paulina Silveira

Rubens Alves - O Prazer da leitura

Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem de “alfabeto“. “Alfabeto“ é o conjunto das letras de uma língua, colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que “abecedário“. A palavra “alfabeto“ é formada com as duas primeiras letras do alfabeto grego: “alfa“ e “beta“. E “abecedário“, com a junção das quatro primeiras letras do nosso alfabeto: “a“, “b“, “c“ e “d“. Assim sendo, pensei a possibilidade engraçada de que “abecedarizar“, palavra inexistente, pudesse ser sinônima de “alfabetizar“...

“Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendo-se as letras do alfabeto. Primeiro as letras. Depois, juntando-se as letras, as sílabas. Depois, juntando-se as sílabas, aparecem as palavras...

E assim era. Lembro-me da criançada repetindo em coro, sob a regência da professora: “be a ba; be e be; be i bi; be o bo; be u bu“... Estou olhando para um cartão postal, miniatura de um dos cartazes que antigamente se usavam como tema de redação: uma menina cacheada, deitada de bruços sobre um divã, queixo apoiado na mão, tendo à sua frente um livro aberto onde se vê “fa“, “fe“, “fi“, “fo“, “fu“... (Centro de Referência do Professor, Centro de Memória, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, MG.)

Se é assim que se ensina a ler, ensinando as letras, imagino que o ensino da música deveria se chamar “dorremizar“: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas e a música aparece! Posso imaginar, então, uma aula de iniciação musical em que os alunos ficassem repetindo as notas, sob a regência da professora, na esperança de que, da repetição das notas, a música aparecesse...

Todo mundo sabe que não é assim que se ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando uma canção de ninar. E o nenezinho entende a canção. O que o nenezinho ouve é a música, e não cada nota, separadamente! E a evidência da sua compreensão está no fato de que ele se tranquiliza e dorme – mesmo nada sabendo sobre notas! Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas: minha mãe as tocava ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes.

Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. “Erotizada“ – sim, erotizada! – pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo.

No primeiro momento as delícias do texto se encontram na fala do professor. Usando uma sugestão de Melanie Klein, o professor, no ato de ler para os seus alunos, é o “seio bom“, o mediador que liga o aluno ao prazer do texto. Confesso nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não eram aulas. Eram concertos. A professor lia, interpretava o texto, e nós ouvíamos extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa de leitura – experiência vagabunda! – e a experiência de ler a fim de responder questionários de interpretação e compreensão. Era sempre uma tristeza quando a professora fechava o livro...

Vejo, assim, a cena original: a mãe ou o pai, livro aberto, lendo para o filho... Essa experiência é o aperitivo que ficará para sempre guardado na memória afetiva da criança. Na ausência da mãe ou do pai a criança olhará para o livro com desejo e inveja. Desejo, porque ela quer experimentar as delícias que estão contidas nas palavras. E inveja, porque ela gostaria de ter o saber do pai e da mãe: eles são aqueles que têm a chave que abre as portas daquele mundo maravilhoso! Roland Barthes faz uso de uma linda metáfora poética para descrever o que ele desejava fazer, como professor: maternagem: continuar a fazer aquilo que a mãe faz. É isso mesmo: na escola, o professor deverá continuar o processo de leitura afetuosa. Ele lê: a criança ouve, extasiada! Seduzida, ela pedirá: “Por favor, me ensine! Eu quero poder entrar no livro por conta própria...“

Toda aprendizagem começa com um pedido. Se não houver o pedido, a aprendizagem não acontecerá. Há aquele velho ditado: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer a égua a beber“. Traduzido pela Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo. Quero é fome“. Metáfora para o professor: cozinheiro, Babette, que serve o aperitivo para que a criança tenha fome e deseje comer o texto...

Onde se encontra o prazer do texto? Onde se encontra o seu poder de seduzir? Tive a resposta para essa questão acidentalmente, sem que a tivesse procurado. Ele me disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e citou a primeira frase. Fiquei feliz porque eu também amava aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema – aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois elementos: as palavras, com o seu significado. E a música... Percebi, então, que todo texto literário se assemelha à música. Uma sonata de Mozart, por exemplo. A sua “letra“ está gravada no papel: as notas. Mas assim, escrita no papel, a sonata não existe como experiência estética. Está morta. É preciso que um intérprete dê vida às notas mortas. Martha Argerich, pianista suprema (sua interpretação do concerto n. 3 de Rachmaninoff me convenceu da superioridade das mulheres...) as toca: seus dedos deslizam leves, rápidos, vigorosos, vagarosos, suaves, nenhum deslize, nenhum tropeção: estamos possuídos pela beleza. A mesma partitura, as mesmas notas, nas mãos de um pianeiro: o toque é duro, sem leveza, tropeções, hesitações, esbarros, erros: é o horror, o desejo que o fim chegue logo.

Todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se ele luta com as palavras, se ele não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê. Por isso eu acho que deveria ser estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de leitura“. Se há concertos de música erudita, jazz e MPB – por que não concertos de leitura? Ouvindo, os alunos experimentarão os prazeres do ler. E acontecerá com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível esquecer. Leitura é droga perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler, a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre os textos - gramática, usos da partícula “se“, dígrafos, encontros consonantais, análise sintática –que não houve tempo para serem iniciados na única coisa que importa: a beleza musical do texto literário: foi-lhes ensinada a anatomia morta do texto e não a sua erótica viva. Ler é fazer amor com as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler elas já são sensíveis à beleza. E a missão do professor? Mestre do kama-sutra da leitura...
 
 
Disponivel em:http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm
Acessado em: 09/11/2011